Estive escutando o albúm de estréia do White Lies, vedete do momento no UK. Sinceramente, não consegui ouvir em To lose my life o estardalhaço que andam fazendo por aí sobre eles. A impressão que tive é de uma banda confusa, que aponta em uma direção e acaba indo para outra.
Vou explicar: o White Lies vem na onda do pós-punk, aparentemente com uma proposta de som mais sombrio, como aquele que o Joy Division nos oferecia na década de 80 e, atualmente, podemos perceber em bandas como Interpol e Editors. Tecnicamente, os músicos se mostram competentes mas a execuçao do conceito, infelizmente, falha absurdamente.
Assim, se To lose my life abre seguindo de longe os passos de Ian Curtis com a notável “Death” (seria melhor se soasse mais dark e menos como Snow Patrol), a segunda faixa começa a caminhar na direção oposta: “To lose my life” desperdiça uma letra misteriosa e um instrumental poderoso com o refrão emo de péssimo gosto “Let`s grow old together/and die at the same time”.
["Death"]
O spree “sou sensível” da banda continua com “A place to hide”, faixa em que o White Lies não percebe a incompatibilidade entre o pós-punk e versos como “And if I made a promise / could I stay by your side?”. “E.S.T.”também não poupa o ouvinte com coisas do tipo “If you tell me to jump then I`ll die”. O verbo to die, aliás, aparece exageradamente por todo o album.
Para completar a decepção, “Unfinished Business” parece ser a faixa redentora, evocando claramente o som do Interpol em seus primeiros compassos. O revés vem logo depois, quando a faixa se transforma em um arremedo fora de lugar do The Bravery. Em outros pontos do album, esse “arremedo fora de lugar” soava como versões fake de Tears For Fears e até mesmo The Killers.
A grande frustração, no entanto, é a sensação que fica no sentido de que White Lies é uma daquelas bandas que poderiam ter sido, mas que não foram. Quem sabe no segundo album?
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