Archive for March 25th, 2008

25
Mar
08

Raconteurs – Consolers Of The Lonely

consoler.jpg 

Um riff choroso de guitarra. entrecortado pelo groove sincopado da bateria. Logo, a voz de Brendan Benson, que divide o front com Jack White, lamentando: “Haven’t seen the sun in weeks / My skin is getting pale / Haven’t got a mind left to speak / And I’m skinny as a rail … I’m bored to tears“. Assim começa Consolers Of The Lonely, o esperado sophomore album dos Raconteurs, lançado hoje em solo americano [ignoremos o lançamento feito por engano na iTunes Store cinco dias antes do previsto].Consolers segue com “Salute Your Solution“, primeiro single do album e cujo vídeo já se encontrava disponível no site da banda. Se você não viu, confira abaixo o Sr. White berrando e se contorcendo sob o riff grudento do contrabaixo de Jack Lawrence:

 

["Salute Your Solution"]

Além da profusão de riffs poderosos e o tradicional esmurrar de chimbal herdado diretamente de Meg White, o segundo disco do Raconteurs nos apresenta muitas outras nuances. “You Don’t Understand Me“, por exemplo, é uma baladinha deliciosa, conduzida por um piano, enquanto “Old Enough” é própria de um country-rock, marcado pela melodia de um violino. Metais ainda ressoarem por “The Switch And The Spur“, enquanto Jack White nos conta aventuras passadas “in the heat of the desert sun” [essa verve storyteller volta para encerrar o disco, com "Carolina Drama"]. As pancadas de guitarra também ficam um pouco apagadas em “Top Yourself“, para dar lugar a um violão e algumas incursões de banjo.

Como ninguém em sã consciência se cansaria dos riffs de Jack White, o bom, velho e competente rock’n'roll volta a se fazer presente e marca “Hold Up“, faixa mais tradicional do album e também a que mais se aproxima do som da banda em Broken Boy Soldiers. O destaque de Consolers, contudo, fica reservado para “Five On The Five“, que já vinha sendo apresentada nos shows da banda. Rítmo acelerado [é a faixa mais rápida do album], guitarras em riffs sujos,  Jack White cantando com seu timbre  oscilante, constantes “ohhhh ohhhh”s … pode não ser a faixa que melhor representa a proposta seguida pelos Raconteurs, mas, em minha opinião, é a faixa definitiva do album. Aumente o volume e clique no play:

["Five On The Five"]

See ya!

:]

25
Mar
08

Saiu …

… o novo album dos Raconteurs, “Consolers of the Lonely”.

A obra pode ser comprada em mp3 diretamente no site da banda: http://www.theraconteurs.com.

O próximo post deve voltar com comentários. 

:] 

25
Mar
08

The Dodos – Visiter

Não fazia parte dos planos este post de fim de páscoa - o imprevisto, contudo, atendeu pelo nome de “The Visiter”, CD do The Dodos já mencionado por este blog. Ontem, suas 14 faixas invadiram minha playlist e rodaram por duas vezes consecutivas, seguidas por mais uma execução nos fones do i-Pod hoje durante a volta para casa.

Quase que pegando carona na temática de “About to Walk” do Throw Me The Statue, o CD abre com a caminhante “Walking“, uma daquelas raras canções sobre afastamento que não soam depressivas ou escrachadas [não que qualquer destes adjetivos não seja bom de vez em quando - todos nós gostamos de "Lover You Should Come Over" ou então de "Everyday I Love You Less and Less", não gostamos?].   A entonação dos primeiros versos da canção me remeteram a Death Cab For Cutie, garantindo minha atenção por completo. Afora essa pequena conexão um tanto subjetiva – será que só eu tive essa sensação? – o que sem dúvida chama atenção em “Walking” e ao longo do album é o cuidado da banda nas composição, o que resulta em um senso de harmonia admirável. Reparem em como as linhas melódicas se costuram, como as cordas preenchem os espaços e, vez ou outra, fogem do previsível.  

A mesma referência à separação que é mote de ”Walking” aparece também em “Jodi“, ao fim do CD. Contudo, em “Jodi“, esta aparece como expressão de algo completamente diferente, indesejado: “Jodi, my dear, I’m sorry but I must disappear / I leave you with a song and a tear / Just please don’t wash away”. “Fools“, faixa mencionada alguns posts atrás, merece destaque especial, de modo que vem citada novamente. Desculpe-me pela insistência, mas se ainda não ouviu a canção, o vídeo segue aí abaixo, ao alcance de seu mouse:

Joe’s Waltz” é uma valsinha bacana, crescente, que faz de seus mais de sete minutos uma excelente ponte entre “Fools” e a galopante “Paint The Rust” [no vídeo abaixo, em medley com "Jodi" - pena a qualidade do vídeo não ser lá essas coisas], uma das melhores do album. Não comentei acima, mas a marcação da bateria chama a atenção em diversas faixas, embora tenha me parecido um pouco exagerada em “Red and Purple”.

Se outras canções fazem referência à partida e ao afastamento, “Ashley” e “Undeclared” preparam o final de The Visiter com uma carga notável de lirísmo. “Undeclared“, inclusive, com aquela simplicidade deliciosa [é a canção mais simples do album, com letra rimada e sem virtuosismos] que poucas canções conseguem manter sem parecerem tolas ou piegas, é escolha certeira para aquela mixtape destinada a uma paquerinha.

Por todos esses pequenos detalhes, de seu cuidado harmônico ao fato de cada música soar maravilhosamente diferente em sua essência, acredito que The Visiter mereça ser apreciado sem pressa, sem barulhos, sem agitação. É um album para se fechar os olhos e ouvir com atenção.

See ya!

:]